Don´t stop till you get enough
... Pois é, Michael Jackson e Farrah Fawcett partiram no mesmo dia. O imaginário de quem nasceu nos anos 70 e teve infância nos 80, como eu, perde um pouquinho da sua magia. Nunca fui exatamente fã de MJ, nem no ápice, embora confesse que Thriller era um clássico das reuniões dançantes - e que já imitei sua coreografia - e que Don´t stop till you get enough seja uma das melhores dance tracks ever. O Eneas Neto fez um texto com o qual me identifiquei muito, e que mostra de certa forma que, com a morte de MJ temos um momento simbólico de um possível fim da cultura pop massiva como a conhecíamos... e principalmente a relação entre mainstream e underground que nem sei se faz mais sentido atualmente... estamos vendo tudo mudar em tão pouco tempo... Fiquei muito triste, é como se definitivamente os anos 80 fossem enterrados.
Senti saudade de comprar bolachões de vinil na loja Popsom da Galeria Chaves no centro de Poa e de lá efetivamente trocar ideias com quem era tão fã de música quanto eu. Senti vontade de reviver os momentos em que pegava 2 ônibus só pra ir até a melhor banca de revistas importadas da cidade e comprar com o dinheiro da mesada uma New Musical Express ou outra revista de música. Senti saudades de ir pra aula e encontrar meu melhor amigo na época, como fazia em 89 pra discutir sobre Kraftwerk, Axl Rose e imprimir minha assinatura no encarte de um disco. Senti saudade de ligar pro Neco e discutir as circunstâncias midiáticas acerca de MJ, mas isso tbm não é mais possível...
No entanto, fico aqui em um estado "numb", zappeando entre a CNN, a BBC, e outras, a digitar as músicas no youtube, ou entrar em grupo do facebook e escrever 140 lamentáveis caracteres no twitter... mudou a forma de produção e circulação, mudei eu, mudaram os modelos de negócios, mudaram os amigos, mudou o tipo de vida, mudou a falta de tempo que tenho a dedicar para a música.. mas e a magia, ela permanece?







7 comentários:
É engraçado. Tu falaste: mudou a forma de circulação e produção, os negógios, os amigos.
É engraçado porque o Michael meio que inventou não apenas a cultura musical dos anos 80 - o tal do pop, como a gente diz - mas ele inventou um modelo de negócios. Efetivamente, foi ele que gerou a última transformação comercial mesmo da era musical: sem ele, MTV e a indústria fonográfica nunca teria tido sua última (ou primeira, no caso da MTV) era de ouro. Tu vê que o Thriller é o disco mais vendido e vai ser pra sempre, porque com LastFMs da vida e download de músicas acabou comprar albuns da forma 'convencional', pelo menos de uma forma que nunca mais será a mesma.
É engraçado também que a morte da Fawcett é também o sepultamento dos anos 70, que, ironicamente, tão tão na moda hoje em dia.
PEDRO: pois tive essa mesma percepção, com MJ foi definitivamente enterrado aquele tipo de negócio de música.
O menino de Indiana agora está livre.
pois é ...
Eu amava dançar ao som de "Don't Stop till you have enough"! Estou ainda bem chateada c/ a morte do MJ...
Compartilho os mesmos sentimentos, Adriana. Também fui criança nos anos 70 e adolescente nos 80.
Vivi o término de MJ nos Jackson 5 e o seu boom desde Don't Stop... até Thriller, para só diminuir depois de Black Or White.
Parar mesmo não vai, posto que só a pessoa concreta deixa de existir mas a pessoa-arte existirá enquanto houver este mundo.
Para mim, danem-se as verdades e os boatos sobre a vida pessoal de MJ; o que interessa é o talento pelo qual o grande astro deu a própria vida. Literalmente.
Nem que seja escondidinho: dancemos a coreografia de Thriller.
Abraços!
W: concordo contigo W e viva a coreô de theriller
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